escrevo-te | 11Mar2009 21:40:00

Publicado por: Flávio L. Silva

Escrevo-te com a ternura de uma criança ao nascer

com a mesma intensidade de um tronco a furar a terra

 

Escrevo-te porque estou de regresso

deixo para trás os silêncios apunhalados

assim como a escrivaninha que era meu leito preferido

 

Se diluires as sete luas a guache e carvão

encontrarás meu cadastro em pequenos versos

sem que no poema se note uma mancha de sangue

 

Escrevo-te com um olho aberto e outro fechado

na esperança de inventar uma raça à prova de tristeza

trabalhando a terra

de onde emergirá a Primavera

tão lúcido quanto a loucura iluminada

 

Alcançar assim desse jeito uma braçada de estrelas

a aproximação dos nossos corpos esquecidos

que a seu tempo lhes darei o pão e o ensinamento das palavras

 

Por saber que Grande poema é a noite e o mar que me detém

escrevo-te

Ainda que o meu sangue esteja cego e gasto.

 

 


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