Blog As-Artes

- 06Fev2012 01:26:00


É preciso escutar
O silêncio
Saber ouvir
O que ele
Nos diz
No sussurro
De um leve
Sopro
D'alma...

Antes que o eco
Ensurdecedor
Do seu grito
Nos acabe
Por emudecer...



Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/02/e-preciso-escutar-o-silencio-saber.html

il mangiatore di fagioli - 05Fev2012 17:34:00

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                                  annibale carracci - il mangiatore di fagioli
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pergunto-me: para onde estará o homem a olhar? não sei. não é possível saber. o artista esqueceu-se de o deixar anotado ? era tão fácil. bastava uma nota de rodapé e este meu dia nunca teria acontecido ? agora estou aqui perdido em congeminações que nunca passarão de meros exercícios num raciocínio sem qualquer valor académico ? sinto-me também um quadro. sem lógica. irracional. sem cores. linhas. contornos. sombras. dobras. estilo. iluminação. sem nada. vazio. perdido no branco da tela ainda virgem ?  nunca serei um rococó ? sou imaginação e a imaginação não é nada aos olhos do desconhecido ? olho. olho e volto a olhar a pintura e não sei o que vejo naqueles olhos negros ? sei apenas o que o pintor quis que eu soubesse: homem do povo. chapéu de palha. unhas sujas dentro de umas mão rudes. como se dissesse: é delas que sobrevivo. ? o que teria levado carraci a pintar um homem do povo? o que escondia este homem dentro de si de tão importante que obrigasse um artista a pegar nos pincéis e a dizer: tu viajarás comigo para a eternidade. habitarás os salões das mansões e compartilharás da companhia dos nobres. dos condes. das baronesas. dos príncipes. das rainhas. da arcádia e suas paisagens ideais ?  serás para sempre o meu homem. o comedor de feijões ? amarrado à mão o pão. preso pela força do pulso como se dissesse: este é meu. tenho direito a ele. trabalhei ? todo o homem que trabalha tem direito ao seu pedaço de pão ? toalha branca. camisa branca e a jarra de vinho em tons pastel. rasgada por uns traços finos de quem. um dia.  quer ser cor forte ? na mesa a fé. o pão diz-me: estou aqui. não se esqueçam de que eu e o vinho fazemos a ceia do senhor ? havia esperança no cimo daquela mesa. havia futuro ? às vezes gosto de imaginar que este homem é uma fraude. uma invenção do pintor. não é um jornaleiro. não é um trabalhador do campo substituindo a carne por um prato de leguminosas ? não. este homem é um seu amigo veneziano. comerciante rico. encomendou-lhe o trabalho apenas para divertimento do seu excêntrico ego ? talvez naquela tempo já houvesse um espécie de carnaval veneziano e o seu amigo gostasse de se disfarçar de carrejão das docas ? ou quem sabe este homem fosse um nobre descendente dos fundadores do condado de bolonha. ganancioso como quase todos os ricos e poderosos. o prazer advinha-lhe dos longos passeios que dava em jeito de revista às suas terras. terras estas que se perdiam de vista. muito para além do rio pó. e entregues aos cuidados de gente que trabalhava de sol a sol. gente da terra ? jornada sempre cansativa. não estava habituado a grandes esforços. parava para almoçar num dos seus muitos caseiros ? em frente dele a família que o acolhia olhava com atenção o seu amo a comer ? a um canto da sala um casal. da cinta ao solo de terra batida a certeza de que os campos continuarão a florir. meia dúzia de filhos. alinhados pelo tempo de criação. escutam em silêncio o barulho da boca a sorver os feijões. quentes digo eu ?  só o barulho da lenha. a queimar a panela de ferro negro. competia com o ranger das mãos a rasgar o pão ? aquele olhar arrasta de dentro de si um silêncio de medo ? dentro daqueles pequenos olhos pretos quero ler: por que estais aí especados a olhar-me se apenas estou a comer a minha comida ? gosto de imaginar o encontro dos olhos. estes que o artista pintou para me afligir no comedor de feijões. ou aqueles que quero alcançar. e que o pintor plantou dentro da minha imaginação ? imagino então. sei que não mudarei um único movimento do quadro por imaginar o que quer que seja.  mesmo que dentro dos meus olhos veja os olhos de uma família humilde. honrada pelo trabalho. parada no canto da sala. deprecada em clemência silenciosa. enquanto dentro do seu corpo cintilava o orgulho e honra por ter na sua casa o homem mais poderoso da região ? gosto de imaginar ?  o que seria de um homem que gosta de escrever sem imaginação ? por isso é que quero ainda poder ver a mulher do jornaleiro parada em frente à mesa. de olhos no chão. à espera que o seu senhor termine a refeição ? ou ainda. nuns olhos acabados já no tempo do romantismo. imagino o comedor de feijões. a meter a colher à boca. no barulho de um bater de asas. um passarinho entra pela porta dentro e de bicada em bicada apanha todas as migalhas perdidas num dia especial para aquele lar. e o homem assustado pela aparição do belo não conseguiu esconder o espanto dos olhos ? também eu estou a pintar. não era minha intenção substituir o carracci nesta vontade de dar cor à minha folha de papel ? bem para ser franco não sei o que quero imaginar. às vezes quero apenas inventar novas tintas. misturo-as. volto a misturar. e vejo uma nova cor ? agora estou a ver a jarra pintada de lilás triste ? na minha cabeça quero apenas criar quadros como na época do iluminismo. época da razão. um movimento de mão artística. capaz de reformular os conceitos erradamente predeterminados para o mundo que me trouxe até aos dias de hoje ? pintar um jornaleiro na época não era normal. talvez o artista quisesse ser diferente e dar um murro na mesa das elites. ou então carregado de dívidas. com os impostos em atraso. com o subsídio de férias e de natal cortados e em graves dificuldades económicas. tenha vendido a sua alma ao poder do capital ? carracci sabia que este homem disfarçado de tragédia era apenas uma manobra de marketing de um dos senhores poderosos da região que desta forma quis dizer: como veem a vida está má para todos. temos de fazer sacrifícios. temos que reduzir despesas e custos de mão obra. aumentar a competitividade neste mundo que agora começa a ser global ? quem sabe o pobre jornaleiro. aquele que não aparece no quadro foi despedido. extinção do posto de trabalho ? a esperança está naquele naco de luz que o pintor deixou penetrar no tempo daquela gurita pendurada ao ombro do jornaleiro. protegida por uma cruz de quem sabe que a vida é sofrimento ? o tempo nada trouxe de novo. tudo parece igual para os que trabalham ? para a história fica apenas o pintor e o seu comedor de feijões ?


sampaio rego
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Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/02/il-mangiatore-di-fagioli.html

Vista e invista - 04Fev2012 15:30:00

Vista e invista


Vista o Morro
Invista no olhar,
O mar corrente
É corpo de amar.
Ar e rebeldia
Instante e lugar,
O Rio é janeiro
É luz e luar.
Subindo e descendo,
Nadando em seu mar.


Diana Balis, Rio de Fevereiro, 4/2/12. (foto de Gisele Santana no Morro do Corcovado)


Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/02/vista-e-invista.html

A Antologia dos 7pecados.blogtok.com chegou no Rio de Janeiro UFA!!! - 03Fev2012 11:39:00

A Antologia dos 7pecados.blogtok.com chegou no Rio de Janeiro UFA!!!
Essa é a vida que vivo, vamos ao ano de 2012? Que Deus ilumine nossa trajetória.
Agradeço a todos os amigos que viajaram a bordo comigo nesse livro.
Bjs
Gisele S Lemos


Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/02/antologia-dos-7pecadosblogtokcom-chegou.html

- 03Fev2012 08:49:00

Que nunca te canse olhar o tempo, as flores, os rios, a poesia, ou sequer o amor. A sapiência está na capacidade de ler as legendas.

Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/02/que-nunca-te-canse-olhar-o-tempo-as.html


Frio que aperta o peito - 01Fev2012 16:54:00

Frio que aperta o peito: Frio que aperta o peito

Serenamente flutuam marcas

Roupas entre vestes que se servem

A população é de desabrigados.

Desejo de paz nesse rebuliço.

Viver é rever as festas.

Sair vestida em noite de gala,

Para dar assento a caridade.

Diana Balis, Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 12



Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/02/frio-que-aperta-o-peito.html


Poeira da paixão - 30Jan2012 11:03:00

Poeira da paixão

Poeira da paixão

Samba vivendo o amor

Cambaleia nos braços

É no espaço apertado sem dor

Que desce do Morro e sobe a ladeira

É o desapego ardor

Pés roliçam pernas

E entre esquecidas cicatrizes

O amor é marca insistente

Viva o samba canção.

Diana Balis em homenagem ao cantor de Samba, Renato da Rocinha.



Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/01/poeira-da-paixao.html





Habilitem o amor - 27Jan2012 12:09:00

Habilitem o amor: Habilitem o amor

Revirem os conteúdos

Examinem as perspectivas

Detonem os explosivos impulsos

E na ganância...

Corrijam os sentimentos

Observem todos os detalhes.

Presenteiem com olhares e sabores.

E nos momentos descendentes...

Todos os amores do mundo,

Estarão ao meu lado.

Diana Balis, Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 2012.



Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/01/habilitem-o-amor.html

generatividade / estagnação - 26Jan2012 21:36:00





                                           annibale carracci




o cadáver acontece ? sem palavra. insignificante. inofensivo. imóvel.  inocente. indiferente ? tudo está agora escuro ? onde não há palavra não há ruído ? as mãos deixaram de escrever. estão cruzadas. a imaginação parou. fixa num ponto inventado. o verbo é agora pretérito perfeito misturado com silêncio ? no fato preto a cor da minha vida ? os olhos fechados. a cor da gravata não sei. nem sei quem a escolheu. pode ter sido tirada à sorte daquela última gaveta do guarda-vestidos. sei que o nó é grosso. apertado. bem apertado. estranho. há uma falta de ar dentro de mim. deve ser das tábuas. estão tão juntas aos cotovelos ? a boca fechada. presa nos lábios. a cola ? colaram-me os lábios. obrigaram-me ao silêncio. agora nunca mais posso dizer olá ? sem palavra não sirvo para nada. nem vento sou. nem gaivota. nem desespero. nem lágrima. só choro quando falo ? será que alguém teve medo que eu dissesse alguma coisa desagradável. talvez um amigo daqueles que sabem que há palavras que matam mais do que a morte ? passei a vida a dizer que não sabia falar. mas assim. fechada. com cola ? nunca imaginei que a morte consistisse nesta falta de palavra ? sempre me vi em gestos. era assim que falava. os braços para trás e para a frente. a correrem como loucos. os olhos caídos no chão como piões rodavam entre as pernas também elas desconsoladas por nunca saberem o caminho do corpo. e a boca sempre ali. morta por dizer o que nunca sabia dizer. só na cabeça as palavras faziam sentido. e dentro. a língua. as papilas gustativas. sempre a salivar por um verbo de amor ?  só com o meu amor os beijos eram palavras. podia dizer amo-te sem gastar palavras ? que faço sem boca? que faço vestido de preto? que faço ao corpo velho. enrugado. triste. como sempre foi. perdido. escondido em projectos. em esboços. viagens? nunca saía de dentro do meu corpo ? abram-me a boca. deixem entrar o ar mesmo que esteja frio. morto. mesmo que nos côncavos olhos já não se veja os lugares onde me sentei a sorrir. aquela rocha voltada para o mar. na póvoa. onde pela primeira vez falei com as gaivotas ? que dia. o céu cinza. o mar cinza. tudo estava cinza. os pescadores em terra cosiam as redes. em silêncio. era agosto ? e eu ali com um agosto jovem.  ainda não sabia nada de oceanos. só mais tarde descobri que o mar lava a alma ? sozinho. nem ninfa se via. só eu e as gaivotas. voavam-me em círculos por cima do corpo. como abutres.  já sabiam que mais tarde ou mais cedo a boca seria a minha morte ?  não é uma questão de falar para vós. aqui já não tenho mais nada para dizer. mas para onde vou. podem perguntar donde venho. o que fiz. ou o que gostaria de ter feito ? pensando bem também não sei donde venho. nem o que fiz. ou o que gostaria de ter feito ? há tanta coisa dentro de mim que nunca fui capaz de escolher. hoje queria uma coisa. amanhã outra ? talvez não precise da boca. talvez tenha dito tudo que é permitido a um homem preso a um corpo que nunca pára de estar quieto ? não sei falar ? mesmo com a boca fechada não tenho silêncio dentro de mim. nunca tive. há sempre alguém a fazer barulho. sempre alguém a querer dizer: tu não és tu ? se eu nunca sou eu então para que quero viver? ? não há forma de manter o corpo dentro da cabeça e rebolar até aos pés dos que me percebem ? preciso de silêncio ? isto de se ser cadáver em vida é complicado ? quero morrer




sampaio rego






Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/01/generatividade-estagnacao.html




Infinito estrelar - 22Jan2012 11:38:00

Infinito estrelar:
Infinito estrelar
O pequeno gesto contradiz o rosto oblíquo
Um adorno já clareia qualquer pescoço
A luz que transcende vem de Leung
Olhar a madrugada nos abraços do amor
Navegantes sentem a brisa do amanhecer
Evidenciam-se estrelas no céu que fincam raízes
Amanhã será outro dia
E teremos tempo para outra maré.
Num infinito estrelar de rumores.
Rio de Janeiro, Diana Balis, 22 de janeiro de 12.


Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/01/infinito-estrelar.html

então até já - 20Jan2012 17:31:00





van gogh




tempo moderno. no homem a máquina e na máquina o homem ? os antepassados não compreenderiam. eu. também passado. ou quase .compreendo porque ouço vozes a dizer: está tudo bem. correu tudo bem. a pedra foi dinamitada ? raios de pedra. implodiu dentro de um eu onde moram outros eus: a família. os amigos. os abraços. os cumprimentos. e aqueles que do simples bom dia fazem ressuscitar o tempo dos bisavós ? bom dia era unicamente educação ? pum. momentaneamente deitamos as mãos aos ouvidos. a implosão é sempre uma explosão nos tímpanos sentimentais ? ouvi dizer que os ouvidos estão presos ao coração por lágrimas que ainda não foram choradas ? mas não. o barulho era enganador. traumas do que ouvimos noutras vidas ? por aqui é festa. é garrafa de dom pérignom. explodiu de alegria enquanto do céu caem mil confeitos. com mil  cores. há quem diga que são lágrimas secas. outros. com mais fé. dizem que são sorrisos de quem o espera no passeio da foz ? ainda há mar para ver




sampaio rego





Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/01/entao-ate-ja.html



Calada pelo frio que me toca à noite - 19Jan2012 08:42:00

Calada pelo frio que me toca à noite:Calada pelo frio que me toca à noite

Mulheres suscetíveis aos conflitos

Sintonia com os corpos alheios

Vestem as imagens de prosas diversas

Nobreza e bruxaria

Como abandonar o navio que afunda?

Os mares nem eram revoltos?

Os desejos são de prazer...

A vida repleta de fluências e confluências.

Mas o homem que dispersa as ventanias,

Acorda o renascer com ruins reportagens.

Sentir a tristeza da madrugada

E acordar atada pela fluidez do amor.

Diana Balis, Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2012.



Fonte: http://movimento-as-artes.blogspot.com/2012/01/calada-pelo-frio-que-me-toca-noite.html



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- Parabéns! Que reflexos maravilhosos!
E a loira:
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